Deputado Lucas Lasmar propõe audiência pública para discutir crise de insulina no SUS
No início deste ano, a técnica de enfermagem Lorena Rocha, de 25 anos, começou a passar muito mal em casa. Preocupados, seu irmão e um primo a levaram às pressas para o pronto-socorro. O diagnóstico veio rápido: diabetes tipo 1. O exame de sangue revelou um nível alarmante de glicose: 234 mg/dL. A médica explicou que Lorena precisaria iniciar imediatamente o tratamento com dois medicamentos: Glifage e a insulina Lada.
Mas um novo desafio começou ali. Sem encontrar a insulina na Farmácia Popular nem na Farmácia de Minas, Lorena se viu obrigada a recorrer à rede privada. O custo? Quase R$ 1.000 por uma caixa com cinco canetas. Com um desconto, o valor caiu para R$ 890, ainda assim um preço inacessível para quem está desempregada. “Não tenho condições de pagar por esse remédio. Tive que pedir ajuda da família para comprar. E o pior é que não há nenhuma previsão de reposição na rede pública”, lamenta.
Falta de insulina atinge pacientes em todo o país
O drama de Lorena não é isolado. O Conselho Federal de Medicina e outras entidades médicas vêm alertando sobre o desabastecimento de insulina no Brasil. A escassez do hormônio essencial para o controle da glicose reflete uma crise global na produção e distribuição.
O Ministério da Saúde informou que, até dezembro de 2024, distribuiu cerca de 59 milhões de unidades de insulina humana NPH e 12 milhões da versão regular para abastecer a atenção primária. Para 2025, o orçamento para a compra de medicamentos foi ampliado de R$ 799 milhões para R$ 1 bilhão.
Apesar do esforço do governo federal, a demora na distribuição ainda afeta milhares de pacientes. Embora os lotes tenham sido enviados aos estados em dezembro, a entrega para os municípios só ocorreu em fevereiro. Esse atraso tem impacto direto na vida de quem depende da medicação para sobreviver.
Pressão política por soluções
A situação mobilizou o deputado estadual Lucas Lasmar, que relatou ter recebido inúmeros pedidos de ajuda de pacientes e denúncias sobre atrasos recorrentes na distribuição de medicamentos. Durante uma reunião da Comissão de Saúde na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, ele propôs a realização de uma audiência pública para discutir o problema.“
Sabemos que pacientes diabéticos gastam entre R$ 300 e R$ 1.200 por mês, dependendo do tipo de diabetes. Esse custo é insustentável, principalmente para quem depende do SUS. Além disso, temos as gestantes, que precisam de acompanhamento rigoroso. Precisamos entender o que o governo estadual está fazendo para minimizar esse impacto na vida dessas pessoas. Vamos levar essa discussão para os governos estadual e federal para garantir soluções concretas”, afirmou o deputado.
Além disso, Lucas Lasmar apresentou o Projeto de Lei 1700/2023 na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), que busca assegurar o fornecimento gratuito de uma ampla gama de insumos e materiais para pessoas com diabetes no Estado de Minas Gerais. O objetivo do projeto é garantir que todos os pacientes tenham acesso integral aos recursos necessários para o controle adequado da doença, reduzindo os riscos de complicações e melhorando sua qualidade de vida. Entre os itens previstos no projeto, estão:
- Insulina ;
- Antidiabéticos orais;
- Seringas e/ou agulhas para aplicação de insulina;
- Glicosímetros;
- Lancetas;
- Tiras reagentes para aferição de glicemia capilar;
- Tiras reagentes para aferição de cetona;
- Adoçantes;
- Material informativo sobre o controle da doença.
Para pessoas com diabetes insulinodependentes, o PL também garante:
- Sistema de monitorização contínua de glicose;
- Sistema de infusão contínua de insulina;
- Glucagon