Crédito da foto: Alexandre Netto/ALMG

Deputado Lucas Lasmar denuncia caos no João XXIII após fechamento de hospital ortopédico

O fechamento do Hospital Maria Amélia Lins (HMAL) pelo Governo do Estado agravou a sobrecarga do Hospital João XXIII, principal pronto-socorro de Minas Gerais e referência em alta complexidade em ortopedia, que atende pacientes de todo o Estado. O deputado estadual Lucas Lasmar (Rede), que solicitou uma audiência pública e participou de visita técnica às duas unidades, denunciou o colapso no atendimento e cobrou providências.

A situação é alarmante. Apenas em 2024, Belo Horizonte registrou mais de 15 mil acidentes de moto, um aumento de 12,5% em relação ao ano anterior. Muitas vítimas sofrem fraturas e necessitam de cirurgias complexas, o que pressiona ainda mais a rede pública de saúde.

Apesar desse cenário, em dezembro de 2024, o governo desativou o bloco cirúrgico do HMAL, que realizava 230 cirurgias ortopédicas por mês e funcionava como retaguarda para o João XXIII. A justificativa foi a necessidade de substituir um equipamento danificado, mas, após três meses repetindo o mesmo discurso, o Estado anunciou este mês um edital para terceirizar o hospital.

Superlotação e desassistência

Na visita técnica ao João XXIII, na segunda-feira (17/03), Lasmar constatou um quadro crítico. “O que vimos foi um cenário de guerra. Contamos 21 pacientes no corredor, aguardando há dias por cirurgia ortopédica. Entre eles, Dona Eva, de 79 anos, que há uma semana espera por um procedimento no ombro”, denunciou.

A Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) alega que o fechamento do HMAL não impactou o João XXIII, já que os servidores foram transferidos para lá. No entanto, médicos e profissionais da saúde relatam superlotação, desmarcação de cirurgias e alta de pacientes sem o atendimento necessário.

Diante da gravidade da situação, Lasmar promoveu uma audiência pública nesta quarta-feira (19/03), na Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa. Durante o debate, o governo minimizou os impactos, afirmando que o João XXIII realizou 26% mais cirurgias nos primeiros meses de 2025 em comparação ao mesmo período de 2024.

A promotora Josely Pontes, da 2ª Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde, contestou: “Como o governo tem coragem de fechar um hospital ortopédico em Belo Horizonte quando há 6.600 pessoas na fila por uma cirurgia?”.

Cobrança por respostas e soluções

Cristiano Túlio, do Sindicato dos Médicos, alertou que a demora nas cirurgias tem deixado pacientes com sequelas irreversíveis. Representantes sindicais denunciaram que o sucateamento do HMAL começou em 2022, com o fechamento de enfermarias, como parte de um plano do governo estadual para privatizar unidades da Fhemig.

Lucas Lasmar reforçou a necessidade de impedir a terceirização e reabrir o HMAL. “Denunciamos essa situação ao Tribunal de Contas e esperamos que o edital de terceirização seja cancelado. O HMAL tem 60 leitos de enfermaria e quatro blocos cirúrgicos que podem voltar a atender a população, aliviando a crise no João XXIII”, afirmou.